Lutou desde cedo contra o neocolonialismo. Com sua poesia denunciou a repressão colonialista e a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças de café e do cacau.
Morreu aos 82 anos em Lisboa, onde morava para divulgar o nome e a cultura de seu país.
PAISAGEM
Entardecer... capim nas costas
do negro reluzente
a caminho do terreiro.
Papagaios cinzentos
explodem na crista das palmeiras
e entrecruzam-se no sonho da minha infância,
na porcelana azulada das ostras.
Alto sonho, alto
como o coqueiro na borda do mar
com os seus frutos dourados e duros
como pedras oclusas
oscilando no ventre do tornado,
sulcando o céu com o seu penacho
doido.
No céu perpassa a angústia austera
da revolta
com suas garras suas ânsias suas certezas.
E uma figura de linhas agrestes
se apodera do tempo e da palavra.
Mais informações sobre a Manuela Margarido, acessem: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/s_tome_princepe/manuela_margarido.html