sábado, 4 de outubro de 2014

Sequencia Didática: O Samba como símbolo de resistência negra do inicio do séc. XX e sua transformação em patrimônio cultural brasileiro (1916-1945).

A sequencia didática foi iniciada na primeira semana do mês de setembro deste ano de 2014, no 7° ano C, as aulas que eram ministradas três vezes por semana nos dias de segunda, quinta e sexta-feira, foram cedidas pela professora de História Rosemari que nos deu suporte junto a turma para melhor andamento da sequencia.
            As estagiarias Luana Muniz, Iara Souza e Claudia Arevalos, aplicaram juntos os conteúdos que foram trabalhos em sala, apesar da pouca observação da turma, que ocorreu apenas por três vezes, não houve nenhuma resistência dos alunos em nos receber em sala de aula, muito pelo contrario ganhamos a simpatia da turma logo na primeira semana.
            A simpatia, no entanto, não impediu que houvesse alguns percalços durante o andamento da sequencia, a falta de pratica e dificuldade com as leituras propostas em sala foram sem dúvida um dos pontos críticos que atrapalhavam a compreensão dos conteúdos, infelizmente a falta de intimidade com a leitura e a pouca habilidade de interpretação dos textos não é um problema que se restringe apenas ao 7° ano C, a maioria das turmas da escola João Dantas Filgueiras apresentam dificuldades semelhantes.
            Desafios à parte, o trabalho da sequencia conseguiu dentro do prazo previsto, fazer com que os alunos compreendessem os objetivos propostos, o conteúdo relacionado à trajetória histórica do samba tinha como finalidade apresentar aos alunos de que maneira ocorreram as transformações do gênero musical, desde sua inicial marginalização até a incorporação do samba enquanto “coisa nossa”, passando a ser uma das principais características da cultura brasileira, a história de seus precursores como Tia Ciata, Hilário Jovino, João da Baiana, Donga, Sinhô, Ismael Silva entre outros, e as formas como ocorriam às negociações dos espaços destinados ao samba, como eram as reuniões entre os membros, a ligação afro-religiosa, a inserção do samba nos festejos de carnaval, as rivalidades dos primeiros ranchos de escola de samba e a consolidação cultural do gênero durante a era Vargas (1930-1945), foram os temas das atividades desenvolvidas em sala de aula.
            Os alunos apesar do baixo desempenho nas atividades de leitura, se mostraram bastante participativos com perguntas feitas oralmente durante as aulas de analise das letras de samba, que eram acompanhadas pelo áudio das musicas, foi interessante observa-los fazendo ligação de musicas ouvidas ainda hoje mas que foram compostas no inicio do século XX, a surpresa de reconhecer letras de alguns dos compositores apresentados provocava maior interesse nos alunos sobre a valorização do samba enquanto elemento de cultura difundido pelas raízes da descendência negra do Brasil.
Durante a avaliação final toda a turma conseguiu apontar no artigo de opinião os pontos principais do conteúdo abordado, no entanto mais uma vez o que atrapalhou na analise das produções finais da sequencia foi à falta de habilidade dos alunos com a escrita, alguns textos apontavam as ideias fundamentais, mas se perdiam em uma total falta de coerência no desenrolar da escrita textual, houve entre nós estagiaria a impressão de que os alunos conseguiram compreender os objetivos da sequencia porem as dificuldades de transpor isso em um texto, a dificuldade em lidar com a organização dos códigos verbais, prejudicou a produção final realizada por eles. Ficamos ao mesmo tempo felizes (por eles terem sim, compreendido o conteúdo ao demostrarem isso através da participação oral) e preocupadas com a situação critica da escrita dos alunos.

Nós estagiarias esperamos, com a insistência em leituras e interpretações das leituras juntamente com a escrita dos artigos de opinião, possamos ter colaborado para uma possível mudança diante desse problema na formação dos alunos, deixamos aqui um grande abraço para turma do 7° ano C.
          Os alunos do 7° ano C, durante a aplicação da sequencia didática

                 
As estagiarias Luana e Iara durante explicação dos conteúdos trabalhados em sala.


Por Iara da Silva Souza

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

“Eu não sou eu mesmo”: considerações sobre a construção e aplicação da sequência de aulas sobre máscaras africanas



“I am not myself” é o título que introduz um livro em inglês, “African Masks: the Barbier-Mueller collection” de Hahner-Herzog et al., sobre as máscaras africanas, publicado em 2007 pela editora americana PRESTEL. Esta frase está intrinsecamente relacionada ao nosso projeto sobre o papel das máscaras na cultura de diversos povos africanos. A sentença contribui para pensarmos o uso das máscaras como manifestações artísticas e culturais, como elementos de tradição e para uso ritualístico.

É uma elocução curta, mas de grande expressão que parte do pressuposto que, quando fazemos o uso das máscaras, transcendemos a nós mesmos. Este objeto serve para que o indivíduo saliente uma parte de si, e não apenas para esconder-se. Ou seja, libera-o para que seja algo que quer ser e não para negar algo que ele seja.

Esta é uma discussão importante para respaldar a sequência de aulas que um grupo dos pibidianos aplicarão pela primeira vez na Escola Estadual João Dantas Filgueiras, da cidade de Três Lagoas-MS. Pensamos comumente que o historiador trabalha com fragmentos, com pistas, para construir hipóteses. Por isso, o que define o documento é a pergunta do historiador, e é nos atendo a essa consideração que chegamos à conclusão que é preciso colocar o aluno em contato com o documento (as máscaras) e pedir que ele o interrogue e o investigue, pois é uma fonte histórica passível de análise, e ao mesmo tempo é um instrumento didático para a compreensão de determinados processos históricos.

Acima de qualquer objetivo, visamos favorecer a compreensão dos alunos acerca do papel das máscaras na tradição de alguns povos africanos e do povo Kuba em particular, como parte de manifestações artísticas e culturais, por meio da análise de máscaras. Desta maneira, valorizamos a autoestima dos afrodescendentes, mobilizamos conhecimento histórico sobre as manifestações culturais africanas e quebramos preconceitos relacionados à produção cultural africana.

Máscaras africanas


Por Rafaely Zambianco

Andamento do projeto “O papel das máscaras entre os povos do Reino de Kuba estabelecidos no atual sudeste da República Democrática do Congo”



No dia 02 de Setembro os alunos reuniram-se para discutir questões pertinentes relacionadas ao projeto e à construção da sequência didática sobre máscaras africanas. No dia 02 de Setembro os alunos reuniram-se para discutir questões pertinentes relacionadas ao projeto e à construção da sequência didática sobre máscaras africanas. Os alunos que participam desse projeto são: a estagiária Mariely Zambianco, e os pibidianos Iyuithi Marinho Sumi, Elenísia Maria de Oliveira, Pedro Henrique Rosa, Samara Gobira, Rafaely Zambianco e Renuza Gonçalves.
Na pauta da reunião foi discutido a organização da produção de pranchas das imagens de máscaras africanas. Estabeleceu-se que, por enquanto, daremos continuidade à ideia de produção de máscaras com papel e colagem ao fim da sequência Neste sentido, para minimizar o tempo a ser gasto nessa atividade, decidimos fazer nós mesmos diversos moldes semi-prontos de máscaras em diversos formatos (redondas, compridas, retas de 180 graus...), ou seja, deixar as quinze primeiras camadas já feitas e secas, assim os alunos poderão escolher o que preferirem, acrescentar mais as cinco últimas camadas de papel imerso em cola, formando detalhes relativos ao formato e expressão, como escarificações, olhos saltados, bocas finas ou grossas, sorrisos.. Não estabelecemos, contudo, quando produziremos as máscaras semi-prontas.
Listamos também os materiais necessários para dar personalidade às máscaras, como miçangas, barbantes, tampa de garrafas, etc.
Para facilitar o entendimento dos alunos e otimizar tempo, produziremos um vídeo de passo a passo para a produção das máscaras, assim poderemos nós mesmos ter mais conhecimento do processo, bem como das dificuldades que nos ajudará a pensar na disposição das aulas, além disso as máscaras prontas constituirão modelos a inspirar os alunos.
Definimos que ficarão dois responsáveis pela fotografia, e na produção do vídeo todos os pibidianos e estagiários envolvidos no projeto irão colaborar. Também definimos que reuniremos todas as quintas às 13:30 horas. É um ponto muito importante nesse trabalho coletivo.
Estabelecidas todas essas diretrizes, iniciaremos a aplicação na segunda-feira seguinte (dia 08). 

Alunos que participam do projeto organizando material da sequência didática.


Por Raaely Zambianco

Oficina prática de produção de máscaras na Escola Estadual JODAFI


No dia 25 de Agosto o PIBID-História organizou e participou de uma oficina de máscaras ministrada pelo artista local e ator Leandro Cazula, diretor do grupo Identidade de Teatro de Três Lagoas, na Escola Estadual João Dantas Filgueiras. O encontro contou com a participação do coordenador do PIBID-História, Professor Lourival dos Santos e todos os “pibidianos”, também da diretora e da coordenadora da escola, além de alguns professores, funcionários e alunos.
A importância desta oficina dá-se pelo contato com a arte, com a produção artística e como exercício para dinamizar a aprendizagem. Também como uma forma interdisciplinar de estudo. O principal objetivo fora pensar as três funções do uso das máscaras: 
1) Como fonte histórica plausível de análise
2) Como linguagem cultural específica de povos africanos
3) Como instrumento didático
Assim encerrou-se a oficina com o passo-a-passo da construção das máscaras. Em seguida, a atividade consistiu na organização de todos os presentes para a produção individual de máscaras com os materiais indicados.

Participantes da oficina produzindo máscaras.



Por Rafaely Zambianco

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Visita de Professores de Cabo Verde a Nosso Projeto PIBID História UFMS/CPTL

Nosso grupo cresceu e o gerenciamento de vinte orientandos tornou-se um desafio para todos nós. Entrementes, deixamos nosso blog de lado!
 Prosseguimos nossos trabalhos na escola João Dantas Filgueira em parceria com os professores de História, Português, Educação Física, Matemática, Artes nas aplicações das sequencias didáticas sobre:

¡  O Jogo de Mancala e as civilizações agrárias em África: o Egito Antigo
¡  Rainha Nzinga e a resistência à ocupação portuguesa no século XVII
¡  Mia Couto e a construção da identidade moçambicana (1976-1992)
¡  O Hip Hop e a História dos negros nos Estados Unidos (1960-1980)
¡  Religiões afro-brasileiras: da perseguição à assimilação da Umbanda na Era Vargas;
¡  O papel das máscaras entre os povos do Reino  Kuba (séculos XVI-XIX)

Devido a este crescimento, no semestre passado, os bolsistas “veteranos” ficaram à frente das referidas sequencias acompanhados pelos bolsistas calouros pelos caminhos de futuros docentes. E assim, passamos um semestre sem publicar em nosso blog.
Hoje voltamos a relatar nossas experiências com a temática afrodescendente em sala de aula.
Nosso tem despertado interesse em termos de educação étnico-racial em aulas de História. No dia 26 de agosto passado, recebemos quatro visitantes de Cabo Verde em missão financiada pela CAPES. Eles conhecer o funcionamento de nosso projeto, seus conceitos e experiências. Naquele dia, coordenadores de área, supervisores e bolsistas de todos os PIBID do CPTL (Licenciaturas de Biologia, Geografia, História, Letras, Matemática e Pedagogia) apresentaram em linhas gerais seus objetivos, ações empreendidas e fundamentação teórica.
Para nós,
 Diretora Ilma, Coordenadora Pedagógica Alice da Escola JODAFI e os professores de Cabo Verde em Visita a Escola Parceira.
Professor Lourival dos Santos, ladeado pelos professores da Missão de Cabo Verde na Unidade II do CPTL
representar projetos desenvolvidos em todo território nacional do PIBID no Ensino de História foi um orgulho tamanho e em nossa humilde apresentação apresentamos a nossos colegas lusófonos cabo-verdianos nosso projeto de formação de professores sensíveis a história dos negros no Brasil e na África.
Para nossa equipe foi prazeroso demonstrar para todos a importância de nosso trabalho, reafirmando nossa meta em incentivar a curiosidade sobre os temas relativo a nossa afro-descendência e enfatizar o respeito pela cultura e história dos negros no Brasil e na África.

                                                                                                                                                             Por Pedro Henrique

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Novos bolsistas e inicio dos projetos.

Na tarde do dia 08/04 tivemos inicio a mais uma reunião do PIBID no LEHIS - Laboratória de ensino de História. O diferencial dessa reunião é que a partir desta data começamos a contar não somente com 7 bolsistas, mas sim com 20.
Os novos bolsistas que entraram no projeto, são formados por calouros e alguns veteranos. Tiveram inicialmente uma apresentação do que é o PIBID, dos nossos objetivos como projeto e o que desenvolvemos na escola João Dantas Filgueiras durante esses anos.
Após as apresentação, os bolsistas novos poderam escolher quais dos 5 projetos em desenvovimento, querem participar e ajudar a desenvolver. Os projetos em execussão no momento são:

- Relgiões afro-brasileiras na escola.
- Nzinga e a resistência à ocupação portuguesa no século XVII
- O Apartheid na Africa do Sul.
- Literatura africana
- Mancala
Nós "veteranos" estamos contentes com a vinda dos novos colegas de trabalho, pois sabemos que sua inserção no PIBID, bem como nos projetos, os tornará professores ainda melhores no futuro,. Abrindo seus olhos para temas tão cotidanos, mas realmente importantes para os alunos, como racismo, preconceito, intolerância, generô, identidade, etc.
Nos alegra saber que o projeto na  escola ira continuar, mesmo com nossa futura saída, vamos poder ver os frutos do nosso trabalho, dos que nos antecederam e dos que estão começando agora!

Inserção na Prática da Escola Quilombola Antônio Delfino Pereira: Primeiros Passos

Alunos e alunas do 1º Ano "A" e "B" assistindo o filme do "Kiriku e a Feiticeira". Em resposta as ações...